quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A SAÚDE EM CENA - FACULDADE DE MEDICINA




TEATRO-FÓRUM EM FRENTE A FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS
Debate e jogo ao meio-dia

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A SAÚDE EM CENA - TEATRO FÓRUM






Projeto “As Várias Faces da Opressão” traz à cena o Teatro do Oprimido, debatendo os conflitos em uma Unidade de Saúde de Porto Alegre.
O Núcleo de Estudos do Teatro do Oprimido de Porto Alegre (NETO) apresenta o espetáculo A Saúde Em Cena, dentro do projeto As Várias Faces da Opressão. A sessão acontece no dia 28 de agosto (sexta-feira), às 20h, na sala 502 da Usina do Gasômetro, com entrada franca. A distribuição de senhas inicia às 19h30.
A montagem é resultado da Oficina de Teatro - Fórum, para atores e não atores,baseada no método do Teatro do Oprimido, criado pelo teatrólogo Augusto Boal.O espetáculo mostra o cotidiano de uma equipe multidisciplinar de trabalhadores em uma Unidade de Saúde de Porto Alegre

Celso Veluza coordena o elenco formado por Maria de Fátima Grillo, Rossimar Rocha, Elisamara Moreira, Maira Bueno, Adriana Rocha, Roberta Moraes, Carla Molina, Lucia Molina, Gisele Vargas Martins, Marilia Scoto, Evelise Rodrigues e Carlos Martinez.

Teatro-Fórum é um espetáculo baseado em fatos reais, onde personagens, oprimidos e opressores, entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses. No confronto, o oprimido fracassa e o público é convidado (pelo facilitador da encenação) a entrar em cena e substituir o protagonista, em busca de alternativas para a solução do problema. É um jogo artístico e intelectual entre artistas e espectadores.

Serviço
O que: A Saúde em Cena – NETO (Núcleo de Estudos do Teatro do Oprimido)
Quando: 28 de agosto (sexta-feira)
Horário: 20 h
Onde: Sala 502 da Usina do Gasômetro (Av. Presidente João Goulart, 551 – Porto Alegre)
Entrada Franca

quinta-feira, 9 de julho de 2009

BULLYING, COMÉRCIO DE DROGAS E LOUCURA, fórum, debate e jogo.

As Várias Faces da Opressão traz à cena o Teatro do Oprimido, debatendo bullying, comercio de drogas e loucura.




O Núcleo de Estudos do Teatro do Oprimido de Porto Alegre apresenta o espetáculo As Várias Faces da Opressão dentro do evento Obrigado, Boal, organizado pela Coordenação de Artes Cênicas. A sessão acontece no dia 02 de Julho (quinta-feira), às 19 h, na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre, com entrada franca. A distribuição de senhas tem início às 18:30h.



A montagem é resultado da Oficina de Teatro - Fórum, para Atores e Não Atores.

Baseada no método do Teatro do Oprimido, criado pelo teatrólogo Augusto Boal.

O espetáculo é formado por três esquetes que abordam temas como violência escolar, loucura e comércio de drogas. Celso Veluza coordena o elenco formado por atores e atrizes com diferentes formações profissionais e, conseqüentemente, diferentes visões de mundo. Tem funcionário público, médico, antropólogo, jornalista, diarista, educadora social, vendedora, psicóloga, atores e atrizes.



Teatro-Fórum é um espetáculo baseado em fatos reais, onde personagens, oprimidos e opressores, entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses. No confronto, o oprimido fracassa e o público é convidado (pelo facilitador da encenação) a entrar em cena e substituir o protagonista, em busca de alternativas para a solução do problema. É um jogo artístico e intelectual entre artistas e espectadores.



Serviço

O que: As Várias Faces da Opressão – Apresentação de Teatro – Fórum

Quando: 02 de Julho (quinta-feira)

Horário: 19 horas

Onde: Centro Municipal de Cultura na Sala Álvaro Moreyra (Avenida Érico Veríssimo nº 307 - Porto Alegre)

Trazer contribuição à Casa dos Artistas do Rio Grande do Sul: alimentos não perecíveis e artigos de limpeza

Promoção: Secretaria Municipal de Cultura / Coordenação de Artes Cênicas

Apoio: NETO - Núcleo de Estudos do Teatro do Oprimido

Toda programação é gratuita



Mais informações no celso.veluza@gmail.com ou pelo (51) 9161 5014, com Celso Veluza.



Informações sobre o evento OBRIGADO, BOAL

Augusto Boal - dramaturgo, ensaísta e diretor teatral - será homenageado nos dias 01 e 02 de julho no Centro Municipal de Cultura. O evento, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura através da Coordenação de Artes Cênicas, coloca em foco a trajetória e o pensamento de um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, falecido no último dia 02 de maio.



Acontecerão oficinas, relatos de experiência, apresentação de filmes e o Painel BOAL EM PERSPECTIVA, que buscará refletir sobre as contribuições e os impasses surgidos a partir do trabalho de Boal. A abertura será com um Oficinão aberto com os jogos propostos em seu famoso livro “200 Exercícios para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo” que será conduzido por Jessé Oliveira. Já estão acontecendo as aulas da Oficina de Teatro-fórum, com Celso Velusa, que fará uma apresentação durante o evento. Entre os vídeos exibidos, será apresentado pela primeira vez em Porto Alegre o documentário JANA SANSKRITI, Um Teatro em Campanha dirigido pela franco-brasileira Jeanne Dosse. O filme narra a experiência do grupo de mesmo nome que a partir das técnicas do Teatro do Oprimido atua em 10 regiões da Índia envolvendo cerca de 3 milhões de camponeses. Foi exibido na Mostra de cinema de São Paulo e ganhou o prêmio do Júri no festival Semaine du Cinéma Méditerranéen de Lunel.



Boal foi diretor do Teatro de Arena de São Paulo durante 15 anos transformadores da cena teatral brasileira, entre 1956 a 1971, realizando encenações históricas antes de ir para o exílio. No período em que a ditadura militar reprimiu com maior força a voz do povo e de seus representantes, Boal aliou-se a educadores e intelectuais da América Latina, dispostos a desenvolverem uma tomada de consciência dos oprimidos. Sempre disposto a lutar contra todas as formas de opressão, desenvolveu um teatro de cunho político, libertário e transformador.



Ao criar o método do Teatro do Oprimido seu objetivo foi a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo (tal como Paulo Freire pensou a educação). Suas técnicas - principalmente o Teatro-fórum e o Teatro Invisível - são conhecidas no mundo inteiro.



É autor de livros como “O Teatro do Oprimido e Outras Políticas Poéticas", "Exercícios para Ator e o Não-Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro" e "Jogos para Atores e Não Atores". Entre diversos títulos e prêmios significativos angariados no exterior, destacam-se o Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres, outorgado pelo Ministério da Cultura e da Comunicação da França, em 1981, e a Medalha Pablo Picasso, atribuída pela Unesco em 1994. Em 2009 é nomeado embaixador mundial do teatro pela Unesco.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

''Todo mundo é melhor do que pensa que é''

Cerca de um mês antes de sua morte, o diretor Augusto Boal concedeu esta entrevista em Paris


Taíssa Stivanin, PARIS


No dia 25 de março, o dramaturgo, diretor e ensaísta Augusto Boal recebeu na sede da Unesco, em Paris, o título de Embaixador Mundial do Teatro. Poucas horas antes, no hall de um hotel na praça da República, na capital francesa, o criador do Teatro do Oprimido concedeu uma de suas últimas entrevistas. Boal, que morreu dia 2, no Rio, aos 78 anos, tinha chegado a Paris um dia antes de nossa conversa. Fui buscá-lo no quarto. Mancando, ele contou que tinha ordens médicas para não deixar o hospital, mas disse que não perderia a oportunidade de receber o prêmio por nada. Se o dramaturgo estava fisicamente tão debilitado, isso só ele sabia. Seu espírito e sua energia continuavam intactos. Bem-humorado, falante, gesticulando muito, e sem pedir nem um copo de água, o dramaturgo conversou sem se cansar. Desse papo, ficou a mensagem que resume sua vida: "Todo mundo pode fazer melhor do que acha que está fazendo." Seu teatro é a descoberta dessa capacidade.

O sr. acompanha o trabalho do Teatro do Oprimido em Paris?

Em Paris acompanho pouco. Meu filho, Julian Boal, integra um grupo que se chama Grupo do Teatro do Oprimido. Existem vários lugares na França que fazem o teatro do oprimido. O movimento Planning Familial (Planejamento Familiar) o utiliza há muitas décadas em seu trabalho. As escolas e as ONGs também. Acompanho como posso. No site internacional do Teatro do Oprimido, existem mais de 50 países nomeados e 200 grupos. Mesmo no Brasil, ele está presente em todos os Estados, menos no Amazonas, Pará e Roraima, pois custa muito caro desenvolver um projeto por causa da distância. O volume de trabalho é imenso, na Índia, na África. Quando algum grupo introduz uma técnica diferente, a gente tenta seguir. No mais, a gente aplaude.

O sr. vai muito à Escandinávia? Como o trabalho se desenvolveu lá?

Começou na Suécia há 30 anos. Tinha amigos exilados, que nos anos 70 me convidaram para fazer uma oficina. Fui voltando nos anos seguintes. Durante muito anos fui para a Suécia e a Noruega. Mas agora canso muito se pego avião sempre. Meu filho leva o trabalho adiante. O Julian, segundo ele mesmo, faz o mesmo trabalho que eu, mas muito melhor (risos).

Ele acreditou no potencial dele, e essa responsabilidade é sua...

Exatamente, você matou a charada. Dizia para o Julian que ele era melhor do que pensava, ele acreditou. E me respondia: "Sou mesmo." Julian trabalha muito no exterior. Na África, na Ásia. Na Índia, existe a Federação Indiana do Teatro do Oprimido. Em 2006, ela reuniu 12 mil pessoas numa praça em Nova Déli. Foi muito lindo de ver, porque 80% eram mulheres, vestidas com seus saris coloridos.Ver aquelas mulheres resolutas, fortes, gritando slogans, cantando hinos sobre teatro, sobre Arte, foi muito bonito. A Arte, afinal, pertence a elas. O Teatro do Oprimido está espalhado por toda a Índia, pelo Paquistão, pelo Sri Lanka. No Sri Lanka, quando houve o tsunami, eles faziam o arco-íris do desejo no campo de refugiados para tentar entender como ficou a cabeça das pessoas depois de um desastre daquelas proporções. É o que que queremos. Criar multiplicadores criativos. Multiplicar um sistema que já existe.O que importa é para quem você faz. Como aplico esse método para essas pessoas, nesse lugar e com esses problemas?

Como está a aplicação do método nos presídios brasileiros?

A cadeia é o único lugar onde temos problemas para trabalhar, por conta de tanta burocracia. É um trabalho que está parado atualmente, mas tivemos experiências maravilhosas. Havia uma prisão no Estado de São Paulo que parecia um leprosário, ninguém chegava perto de ninguém. Conseguimos trazer os prisioneiros para o meio da praça, usando o teatro-fórum, como se fossem cidadãos livres. Eles entraram em cena e contracenaram com os outros. Deu certo. Os presos aceitaram que estavam pagando pelos crimes que cometeram e voltariam a viver em sociedade se fosse possível. Uma vez fizemos uma peça onde um preso contava sua história, trágica. Ele era inocente e estava preso há dois anos porque não sabia como se defender. Durante sua apresentação, coincidentemente, tinha uma juíza na plateia. Espantada, ela prometeu o alvará de soltura dele e cumpriu. Situações como essas, existem muitas. Numa cadeia paulista onde aplicamos o teatro legislativo, por exemplo, conseguimos fazer creches para as detentas que tinham filhos. O problema é a burocracia. Os funcionários do Depem, órgão que administra as cadeias, são impenetráveis. Na cabeça deles não entra nada. Não compreendem que o que está na lei tem de estar subordinado a um bem maior. Sei que a lei deve ser obedecida. Existe uma lei que diz: é proibido pisar na grama. Não quero pisar na grama, porque acho que é uma lei justa. Mas se uma criança está sendo atacada por um cachorro, você tem de pisar na grama, dar um pontapé no cachorro e salvar a criança. Violar a lei às vezes é necessário. Trabalhamos também com o Ministério da Cultura em 16 Estados, e com o Ministério da Saúde, nos Capes (Centros de Atendimento Psicossocial). Tentamos enquadrar o delírio patológico no delírio estético. Afinal, teatro é uma forma de delírio, uma forma de alucinação.Também trabalhamos em comunidades violentas. A violência ocorre pela obtusidade das pessoas. Alguns continuam nesse caminho, mas outros felizmente entendem que o diálogo é a forma soberana da comunicação.

No contexto da globalização, da sociedade de consumo, o seu método pode ser aplicado da mesma forma que há 30 anos ou precisa ser readaptado levando em consideração as mudanças sociais?

O Teatro do Oprimido se torna mais útil ainda nesses novos tempos. Ele é o contrário da globalização, faz parte da mundialização. A globalização é uma pirâmide da desigualdade. No topo, ficam os ricos, as pessoas desonestas, responsáveis pelo crash da bolsa e a crise mundial. A globalização é uma fagocitação, esses ladrões todos querem comer os outros. É uma coisa antropofágica. A mundialização não. Se você tem um saber, você tem de espalhar esse saber. Não pode ser aquele sábio que vive no topo de uma montanha. Isso me lembra uma piada mineira. O homem pergunta: "Senhor sábio, o que é a vida?" O sábio responde: "Meu filho, a vida é um rio." "Um rio?", desconfia o homem. O sábio vacila: "Uai, não é não?" Esses velhos sábios não me interessam. Temos de ser generosos e solidários com os outros e deixar que eles usufruam do seu saber.

Poderia esclarecer um pouco as derivações do Teatro do Oprimido? Teatro Legislativo, invisível....

O Teatro do Oprimido é uma grande árvore. Essa árvore tem as raízes na ética e na filosofia de humanizar a humanidade. É a nossa base. Depois começam os jogos, para restaurar a capacidade criativa das pessoas. Em seguida, vêm os diversos ramos da árvore, como o teatro invisível, o teatro legislativo, o arco-íris do desejo, que serve para exteriorizar as opressões internalizadas. O mais usado é o teatro-fórum, que significa colocar um problema e discutir teatralmente esse problema. É a forma mais difundida, porque produz resultados mais imediatos. O arco-íris do desejo requer uma reclusão maior, em grupos pequenos. Trata problemas individuais. Todas as formas de teatro são úteis, têm uma função. O sucesso extraordinário desse teatro, no mundo todo, se deve à revelação de que o teatro não é o palco, não são as luzes, não é um texto escrito necessariamente, não é iluminação, não é nada disso. Teatro somos nós. Cada um de nós traz em si mesmo um ator. Nesse momento, por exemplo, estou sendo ator. Estou agindo e ao mesmo tempo sendo espectador. Estou ouvindo o que estou dizendo, minha voz, estou pensando no que vou dizer. Teatro é isso. Você percebe que pode avançar num sentido que não é aquele previsto pela sociedade, tecnicamente e mecanicamente. Você sai da moldagem e passa a ser você mesmo, descobrindo coisas insuspeitadas. Que você é melhor do que você pensa que é. Todo mundo é melhor do que pensa que é. Todo mundo é mais capaz de fazer o que já está fazendo. Meu teatro é a descoberta dessa capacidade.

O que ainda falta fazer?

Já fiz muita coisa e tenho intenção de fazer muitas mais. Estou terminando um livro que se chama As Estéticas do Oprimido. Muita gente fala de diversidade cultural, o que defendo. Mas quando pensa em estética, pensa em uma só. Como ser diverso culturalmente, com uma só estética, se a estética é produto de uma cultura? Por exemplo, aquele pintor norte-americano, Jackson Pollock. Nos Estados Unidos, todo mundo acha que ele é um gênio. Leva uma pintura dele para Bangladesh e pergunta o que vão achar. Tudo isso para dizer que os americanos criam a estética deles, da Guggenheim Foundation. Tudo isso para dizer que não existe uma soberana estética à qual todos nós devemos nos curvar e obedecer.


No ano passado, seu nome teria sido cogitado para o prêmio Nobel da Paz, como recebeu a notícia?

Não tenho nada com isso (risos). Achei muito simpático, principalmente porque recebi indicações dos cinco continentes. Até na Austrália, que é do outro lado do mundo, recebi cartas de apoio.Pelo que soube, o que ficou faltando foi o apoio de algum Prêmio Nobel. Não tem importância, não me preocupo se vou ganhar ou não neste ano. Mas tenho muito orgulho de ter sido indicado.

E sua história com a química?

Sou engenheiro químico porque meu pai queria que eu fosse doutor e teatro não dava doutorado na época. Tinha uma namorada de quem eu gostava muito e ela foi fazer Química. Fui atrás. Entrei na faculdade e ela não, acabou fazendo Letras. Eu não era o primeiro aluno da sala, mas não era o último. Ficava na média. Mas já esqueci tudo. Só lembro que a fórmula da água é H2O.

Esta entrevista com Boal foi concedida originalmente à Rádio França Internacional (RFI)


Livro inédito


TESTAMENTO: O Teatro do Oprimido, de Boal, é uma metodologia cênica que ele desenvolveu nos anos 70 e combina drama e ação social. Poucos dias antes de morrer, o embaixador mundial do teatro pela Unesco entregou à editora Garamond o texto final do seu novo livro, A Estética do Oprimido. Já considerado o testamento artístico de Boal, o livro sintetiza suas principais concepções sobre arte e deve ser publicado ainda em 2009. Boal abre o livro com uma dedicatória: "Sinto sincero respeito por todos aqueles artistas que dedicam suas vidas à sua arte - é seu direito ou condição. Mas prefiro aqueles que dedicam sua arte à vida

Augusto Boal morreu na madrugada do último sábado, 02 de maio, no Rio de Janeiro. Aos 78 anos.

No dia 25 de março de 2009, o teatrólogo Augusto Boal foi nomeado Embaixador Mundial do Teatro pela UNESCO. A cerimônia aconteceu na Maison Fontenoy, em Paris, com participação dos membros do International Theatre Institute - ITI, do qual o Brasil é integrante.

Além do discurso de Boal, foi exibido um vídeo-documentário sobre a atuação do Centro de Teatro do Oprimido, Brasil adentro e mundo afora; uma exposição de fotos lembrou alguns dos trabalhos de Augusto Boal em diversos países; e foi apresentada a peça "O cozinheiro disse para o coelho: - Vamos preparar o jantar?", de Julián Boal.

Abaixo a mensagem que Boal leu neste dia e está disponível também no site http://www.iti-worldwide.org/theatredaymessage.html



International Theatre Institute / Institut International du Théâtre ITI

Dia Mundial de Teatro - 27 Março, 2009

Augusto Boal

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

terça-feira, 28 de abril de 2009

AQUECIMENTOS - Mix de Jogos e Exercícios Artísticos e Terapëuticos




quinta-feira, 23 de abril de 2009

AQUECIMENTOS - Mix de Jogos e Exercícios Artísticos e Terapêuticos

AQUECIMENTOS - Mix de Jogos e Exercícios Artísticos e Terapêuticos
Alimente seu fogo interior.
Entregue-se ao desconhecido.


O verão expirou
O outono se instalou
O inverno espreita
Alimente seu fogo interior
Meia volta volver e dê de cara com você
Cobrindo seus olhos ou desvendando os meus


Oficina de vivências utilizando técnicas do Teatro do Oprimido, Bioenergética, Yoga, massagem e música tudo isso num palco com iluminação e trilha sonora especial. Finalizada com uma leitura de como cada um se sentiu. O Gran Finale fica a cargo de uma Jam Session onde todos podem tocar instrumentos musicais, inventados, cantar e dançar mais relaxados e energizados do que quando chegaram.



Apoio IncondProduçao: NETO - Núcleo de Estudos do Teatro do Oprimido icional: Companhia de Teatro A Hora do Anjo e Triambakam Terapias e Artes (SC)
Participantes:
Janine Schmitz - Professora de Yoga e Atriz
Gabriel de Negreiros - Ator e Bailarino
Celso Veluza - Diretor de Teatro

Serviço;
Dia 21 de Abril (terça feira) feriado nacional
Horário: 19 horas
Local: Centro Cultural Usina do Gasômetro em Porto Alegre - Sala 502
Contato e reservas: 9161.5015
www.triambakam.ybytucatu.org e-mail triambakam.terapias.artes@gmail.com
www.teatro-do-oprimido.blogspot.com e-mail arte.meioambiente@gmail.com
fotos: www.veluza.multiply.com e-mail celso.veluza@gmail.com